Compra de chapa ASTM A36: o que verificar no relatório de ensaio da usina
Antes de aceitar uma chapa de aço estrutural ASTM A36, verifique se o certificado de ensaio do fabricante pode ser associado à chapa física e se os resultados atendem à especificação e ao pedido de compra que regem o fornecimento. Um certificado que apresenta um ensaio de tração aprovado é útil, mas não resolve a ausência do número da corrida, uma espessura incorreta ou um requisito do projeto que nunca foi incluído no pedido.
Para as equipes de compras, a análise mais eficaz acompanha o material: identifique a chapa, verifique os requisitos aplicáveis e, em seguida, compare a composição química e as propriedades mecânicas informadas com esses requisitos. Qualquer divergência deve ser resolvida antes de a chapa ser cortada ou liberada para fabricação, quando a triagem e a substituição se tornam mais caras.
O número da corrida é o ponto de partida para a rastreabilidade. Compare o número da corrida no MTR com a marcação na chapa e com os números da lista de embalagem, do comprovante de entrega e de quaisquer registros de rastreabilidade do fornecedor. O certificado deve identificar a usina produtora, a especificação e o grau do material, bem como os resultados dos ensaios pertinentes. Verifique se a referência do pedido de compra ou do projeto na documentação vincula o material ao pedido correto.
O número da corrida identifica um lote de aço, não necessariamente uma chapa individual. Um fornecimento pode conter várias chapas de uma mesma corrida, várias corridas ou chapas processadas a partir de chapas-mãe maiores. Se um distribuidor ou processador tiver cortado o material, pergunte como a identificação original foi transferida para as peças. Uma lista de corte ou um registro de estoque pode ajudar a vincular cada peça à sua origem, mas uma marcação manuscrita, por si só, pode não atender às regras de rastreabilidade do projeto.
Não presuma que um MTR anexado a um fornecimento abrange todas as chapas incluídas nele. Associe cada corrida da entrega ao certificado correspondente e verifique se todas as páginas exigidas e os anexos referenciados estão presentes. Se uma chapa chegar sem uma marcação legível, mantenha-a em espera para identificação de acordo com o procedimento acordado. Um MTR do mesmo fornecedor ou um certificado referente a uma corrida aparentemente semelhante não comprova que a chapa não identificada pertence a essa corrida.
Para um pedido com várias corridas, um registro simples de recebimento costuma ser mais útil do que uma pasta contendo apenas certificados. Registre o identificador da chapa ou do feixe, o número da corrida, as dimensões, a referência do MTR e qualquer divergência. Isso oferece ao fabricante uma forma prática de manter a rastreabilidade depois que o material é transferido para o estoque.
O MTR deve identificar ASTM A36/A36M e o grau ou a designação aplicável ao material. Compare a especificação e a edição indicadas com o pedido de compra e os documentos do projeto. O contrato aplicável pode especificar uma edição determinada ou incorporar requisitos adicionais; a presença de “A36” no certificado não demonstra automaticamente a conformidade com todas as condições do projeto.
Verifique também a forma do produto e as dimensões informadas. A espessura da chapa é importante porque os requisitos aplicáveis de propriedades mecânicas e ensaios podem depender da espessura e de outras condições da especificação. A espessura indicada no MTR deve corresponder ao material fornecido ou estar claramente vinculada ao produto ensaiado. Separadamente, confira as dimensões e tolerâncias pedidas em relação aos requisitos aplicáveis e às medições no recebimento. Um certificado de ensaio satisfatório não substitui a medição da chapa.
Verifique quaisquer requisitos adicionais acordados no momento da compra, como ensaio de impacto, exame ultrassônico, marcação específica, acesso para inspeção ou texto de certificação específico. Esses itens não são fornecidos automaticamente apenas porque o pedido solicita A36. O certificado ou os registros que o acompanham devem apresentar os exames e resultados exigidos, quando aplicável. A declaração do fornecedor de que o material é “adequado para uso estrutural” não equivale à comprovação de um ensaio suplementar especificado.
Quando vários documentos parecerem contraditórios, estabeleça a ordem de precedência aplicável antes de aceitar o material. Por exemplo, a cotação do fornecedor pode descrever chapa A36 padrão, enquanto o pedido de compra exige um exame adicional. O comprador precisa de uma resolução documentada dessa divergência, e não da presunção de que o exame estava incluído no preço cotado.
Um MTR normalmente apresenta a análise química e os resultados dos ensaios mecânicos. Leia os valores considerando a edição aplicável da especificação, a espessura da chapa e o pedido de compra. Confira também as unidades: um valor informado em MPa deve ser comparado com requisitos expressos no mesmo sistema de unidades, de acordo com as regras da especificação aplicável.
Compare os elementos informados com os limites aplicáveis à chapa pedida. Carbono, manganês, fósforo e enxofre estão entre os valores que o comprador pode encontrar, mas os limites aplicáveis e os requisitos de informação devem ser verificados em relação à norma e às condições do produto efetivamente aplicáveis, e não a uma tabela genérica encontrada na internet.
Preste atenção ao tipo de análise. A análise da corrida descreve a composição química da corrida de aço; a análise do produto refere-se a uma amostra retirada do produto acabado. Os requisitos aplicáveis e as variações permitidas não são necessariamente idênticos. Se o pedido especificar uma análise do produto ou um limite mais rigoroso para fins de fabricação, uma análise da corrida, por si só, pode não atender a esse requisito adicional.
A composição química também importa para além de uma simples avaliação de aprovação ou reprovação. Em um conjunto soldado de grande porte, o fabricante pode precisar das informações de composição para avaliar os procedimentos de soldagem e qualquer limite especificado de carbono equivalente. Não deduza um valor de carbono equivalente nem uma garantia de soldabilidade apenas pelo nome do grau. Se forem necessários um cálculo ou elementos específicos, acorde o método de apresentação e os limites antes de fazer o pedido.
Verifique o limite de escoamento, a resistência à tração e o alongamento informados e compare-os com os requisitos aplicáveis à chapa. Por exemplo, um certificado referente a uma chapa dentro da faixa de espessura aplicável pode apresentar um resultado de escoamento em ksi ou MPa; o responsável pela análise deve usar o requisito correspondente da A36/A36M para esse produto e essa espessura. Um resultado acima de um mínimo conhecido não é suficiente se outra propriedade exigida estiver ausente ou fora da faixa permitida.
O alongamento exige o mesmo cuidado que a resistência. O requisito de aceitação pode depender de fatores como o tipo de corpo de prova, o comprimento de referência, a espessura e os ajustes aplicáveis. Um percentual copiado para uma planilha sem esses detalhes pode levar a uma rejeição ou aceitação incorreta. Se o certificado não fornecer informações suficientes para interpretar um resultado, solicite ao fornecedor os detalhes pertinentes do ensaio.
Verifique também a base do ensaio e a rastreabilidade. Um MTR pode apresentar resultados para a corrida, o lote ou a unidade de ensaio aplicável, conforme as regras vigentes; isso não significa necessariamente que cada chapa individual tenha sido submetida a ensaios mecânicos. Se o projeto exigir uma frequência de ensaio diferente ou comprovação específica para cada chapa, esse requisito deve constar do acordo de compra.
Por fim, diferencie um resultado informado de uma declaração na capa do documento. “Atende à ASTM A36” pode ser uma declaração de conformidade útil, mas o comprador ainda deve conseguir localizar os resultados e vinculá-los ao material. Por outro lado, uma série de valores sem uma usina, uma especificação e uma cadeia de rastreabilidade identificáveis é uma base frágil para liberar o material.
Um certificado da usina é uma evidência sobre o material e os ensaios que identifica. Por si só, não comprova que as chapas entregues tenham a quantidade, as dimensões, a planicidade, as condições superficiais ou as condições das bordas corretas. Essas verificações fazem parte da inspeção de recebimento e devem ser medidas ou avaliadas de acordo com os requisitos do pedido e as normas aplicáveis.
Um MTR aprovado também não comprova que a chapa atenda a todos os requisitos de fabricação ou serviço. Se o projeto exigir propriedades de impacto a uma temperatura especificada, desempenho na direção da espessura ou outra condição especial, solicite explicitamente as evidências pertinentes. Não considere a ausência de um resultado desfavorável como prova de que um ensaio não informado foi realizado.
A mesma distinção se aplica quando um pacote para construção inclui diferentes produtos de aço. Chapas estruturais e um produto para cobertura, como chapa para telhado galvanizada e pré-pintada PPGI, têm funções e requisitos de compra diferentes. As informações de revestimento e acabamento de uma chapa para telhado não comprovam a conformidade de uma chapa estrutural A36, e um MTR de chapa A36 não certifica a chapa para telhado.
Nem todo erro documental significa que o aço é inadequado. A ausência do número do pedido de compra, uma digitalização ilegível ou uma divergência decorrente de um registro de processamento podem ser corrigidas por meio do sistema documentado de rastreabilidade do fornecedor. Um resultado informado fora do limite aplicável, uma chapa sem rastreabilidade ou a ausência de um ensaio exigido são questões diferentes. A equipe de compras deve evitar tratar todas as divergências como meras correções documentais.
Coloque o material afetado em espera e descreva a divergência com precisão. Identifique a chapa, a corrida, o pedido de compra, o número do certificado e o requisito em questão. Solicite uma explicação e os registros comprobatórios adequados ao fornecedor ou à usina. Se for emitido um certificado corrigido, verifique se ele foi autorizado, pode ser identificado e está vinculado ao material original; uma alteração de número sem explicação ou evidências comprobatórias não resolve o problema subjacente.
Se forem propostos ensaios adicionais, estabeleça quem selecionará as amostras, o que será ensaiado, quais critérios de aceitação se aplicam e se o contrato e o proprietário do projeto permitem essa alternativa. Os ensaios podem esclarecer algumas questões sobre as propriedades, mas não podem reconstruir automaticamente uma identidade perdida nem comprovar que um exame omitido foi realizado na etapa exigida. Qualquer concessão ou substituição deve ser aprovada por escrito pela parte autorizada nos documentos do projeto.
As decisões de custo são mais fáceis antes de o material ser destinado ao corte. Um preço baixo da chapa pode ser superado pelos custos de triagem, novos ensaios, frete de substituição, atrasos na fabricação ou rejeição do trabalho. Especifique no pedido de compra o MTR, a rastreabilidade, os ensaios suplementares e os prazos de documentação exigidos, e analise os certificados com antecedência suficiente para resolver dúvidas antes da entrega ou da produção. Isso dá ao comprador uma base prática tanto para comparar propostas quanto para aceitar o fornecimento recebido.